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Na contramão da história… Djaldino Moreno

março 22, 2011

Na semana passada estive em um encontro com alguns cineastas da Trincheira Filmes, do Recife, que recentemente ganharam o Festival de Cannes. Junto com os cabras estava uma figura folclórica do cinema sergipano: o senhor Djaldino Moreno.

Pois bem, Djaldino iniciou os trabalhos com uma longa fala sobre a história do movimento “superoitista” em Sergipe destacando que até o atual governador Marcelo Déda fora um cineasta. Não pretendo iniciar a discussão sobre o que é ser um cineasta. Além disso, se colocou como conhecedor dos meandros da arte cinematográfica e a favor de pesquisas mais alicerçadas em torno do período considerado como o clímax da produção de obras audiovisuais em Sergipe.

Aí abriram pra perguntas. Rodou pra cá, rodou pra lá e nada. Levantei a mão. Me apresentei e em seguida questionei o aposentado Djaldino sobre quais seriam suas opiniões sobre compartilhamento de obras cinematográficas. Tod#s sabemos que ele possui um grande acervo de filmes produzidos em Sergipe no formato super8. Sabemos também que ele não empresta, aluga, vende ou sequer deixar dar uma espiadinha de leve. Isso mesmo, resolvi cutucar a onça.

Depois de um monte de conversa mole o senhor Djaldino afirmou categoricamente que não tem muita inclinação a conceder suas cópias para que sejam digitalizadas. Motivos? As pessoas não teriam o cuidado que ele tem e o material poderia ser perder em mãos desastradas.

Não me dei por satisfeito e informei que, segundo a atual lei de direitos autorais vigente no Brasil, essas obras somente cairiam em domínio público setenta anos depois da morte do senhor Djaldino. O “ex-cineasta” fez ouvido de mercador e tratou de comentar as viagens que faz a São Paulo a fim de participar dos festivais de cinema da terra da garôa.

Nesse momento tão peculiar onde questões sobre direitos autorais e compartilhamento digital estão em voga, caminhando para uma cultura digital mais abrangente o senhor Djaldino M0reno se coloca exatamente no caminho contrário se negando a conceder as cópias de filmes antigos para uma possível digitalização.

Nós, estudantes de cinema da UFS, sentimos um vazio histórico haja vista que nem os trocentos filmes inscritos no CURTA-SE nesses 11 anos, nem as produções da aperipê e muito menos os realizadores possibilitam às novas gerações o acesso ao que foi produzido em Sergipe nas décadas passadas.

Essa é uma discussão que precisa ser encarada de frente e sem personalismos. Usei o exemplo de Djaldino, mas minhas críticas não são pessoais. Até entendo o porque de sua posição, mas não concordo.

Deixo um texto que achei numa pilha de comentários em um blog sobre cultura digital. Concordo em gênero, número e grau.

Caro artista, você quer tornar-se dono de algo que julga ser seu? Devia então tirar sua “arte” da lista de “seu” e colocar a sua “vida e tempo” no lugar.
Um artista que é o resultado de uma sociedade e todas as técnicas e vícios da mesma portanto todas suas criações são em coautoria com todos que os cercam (que lhes dão sentimentos, idiomas, sotaques).
Creio que à um grande equivoco ao dizer que a música é a única coisa que tens a vender. Está não devias ter o direito de vender para os que lhe deram suporte na criação (o povo e sua cultura). Em relação à sua vida, seu tempo seu esforço próprio de subir num palco e tocar com maestria creio que deva ser um trabalho justamente recompensado, porém me parece que não tem esse interesse pois luta para ganhar um lucro sobre qualquer um que venha a escutar a sua música e realiza shows tão raros e caros que só alguns poucos podem apreciar.

Imagine pagar 10 centavos por cada música que escutamos, com certeza teríamos um “limite” para a cultura de cada um.

Porque usa um idioma que existe e um sotaque do povo, gírias e menciona gostos e emoções deste povo que lhe cerca? Já que és um grande Artista poderia criar tudo sozinho.

Faça shows! Quero lhe ver suar!

Propriedade intelectual é um crime.

Um comentário

  1. Fizemos um blog pro U-507 > http://u507.wordpress.com , um documentário que trabalhei e que foi bancado com a grana do único edital de incentivo a produção de curtas já lançado pela prefeitura de Aracaju!

    Tá licenciado em Creative Commons e é bem legal a repercussão, pessoas de vários lugares do Brasil comentam, pedem DVD pra comprar. Depois vou até colocar uma cópia lá com qualidade melhor pra galera baixar…



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