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Setransp quer passagem em R$2,26. Peça 4 centavos!!

janeiro 29, 2010

A arrogância dos patrões e a miopia do trabalhador

“No município de Aracaju e regiões metropolitanas se chegarmos hoje a uma tarifa de R$ 2,26, se deve também aos esforços feitos por essa superintendência no sentido de combater a evasão escolar, as gratuidades indevidas e também, dentro do possível, nos principais corredores liberando as vias para uma maior fluidez do transporte coletivo. Caso o contrário, a tarifa calculada nesse momento, sem sombra de dúvidas, chegaria a um valor muito maior”, frisa o documento.

Lendo esse fragmento qualquer pessoa diria que a “superintendência” é a SMTT. Porém, o documento é um ofício do SETRANSP (Sindicato das Empresas) à SMTT. Então, deu um nó na minha cachola. Digo isso porque os “esforços” daquele sindicato são na verdade obrigações do Poder Público.

Ora, vejamos. Combater a evasão é papel das Secretarias de Educação. As gratuidades e a liberação dos corredores é competências da Câmara e da SMTT. A não ser que eu esteja redondamente enganado e algum leitor me corrija nos comentários logo abaixo.

Se eu estiver certo além de escrotos os empresários são muito arrogantes. Tomaram para si demandas que o Poder Público deixou de mão. A SMTT não passa de um prédio burocrático que devia ser todo pintado de laranja. Quem controla o sistema de transporte PÚBLICO é um sindicato das empresas PRIVADAS.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Além do mais é triste ouvir as pessoas dizerem que a passagem deve aumentar para R$2,20 para facilitar o troco. Ora, façam-me o favor. É como dizer: Bata, mas bata com carinho.

Tá mais do que na hora de colocarmos em prática as aulas de Química e produzir uns coquetéis…molotov, é claro!

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Quem se beneficia com o sistema de cotas?

janeiro 28, 2010

ANÁLISE

Lendo a matéria da infonet sobre as lamúrias de estudantes da rede privada que se sentiram lesados com o sistema de cotas.  Uma estudante, Mônica Wolf, as cotas tiram o direito dos estudantes das escolas particulares. “Acho uma injustiça, muitos alunos cotistas serão discriminados na universidade pelos próprios alunos que vão achar que eles são ‘menores’”, acredita a estudante. O que a mocinha de cabelos lisos quer dizer com “menores”?

Será que pelo fato de terem estudado em escola pública os tornam “pobrezinhos” e que na UFS serão achincalhados por sua condição? Com certeza ela estaria no pelotão de bolinhas de papel. Obviamente, com o aval dos pais que investiram tanto em escolas que apertassem mais, em cursinhos que ensinassem o caminho das pedras. Eles devem ser perguntar: ora, paguei tão caro e um moleque ou piveta de escola pública vai tomar um lugar que eu comprei para o meu filho?

Uma bancária – que entrou na justiça para assegurar a matrícula do pimpolho – defende que o sistema de cotas “ofendem o princípio da igualdade, porque elas geram a chamada discriminação reversa, daqueles que não deram causa ao problema.” Palavras bonitas que escondem uma dura verdade: os estudantes oriundos de qualquer uma das redes de ensino podem igualmente se inscreverem, porém não concorrem de igual para igual. Quem acredita nisso ou é cúmplice ou é muito ingênuo.

A melhor parte vem no final do texto. Um aluno é tomado como exemplo de aluno cotista que tem “um sonho” e que quer ser diplomata. Fala bonito sobre o passado quando tinha mais afeição por humanas e talz. Até aí tudo bem, o texto corria para um final apático e conveniente. Porém, o cabra dá uma tremenda cagada quando afirma Acho que foi uma infelicidade as cotas raciais, porque o ensino público talvez tão cedo não seja superado, mas a questão da raça não tem nada a ver com a condição social da pessoa“. Talvez ele chegue a ser diplomata em um país bem rico e perceba que a pobreza tem cor de pele sim.
OPINIÃO

Ninguém aguenta esse lenga-lenga. A UFS tem um número X de vagas. Se inscrevem 100x, é lógico que trocentos ficarão de fora. É o vestibular que define isso. Agora, dizer que os cotistas estão sendo privilegiados é sacanagem.

Parafraseando Rubem Alves… Imaginem o Haiti. Devastado, pessoas perambulando pelas ruas sem ter o que comer. Aí os países ricos mandam ajuda. Só que ainda é muito pouco. Imaginem que os governantes haitianos tenham que tomar uma decisão terrível: escolher quem vai ter acesso aos mantimentos que chegam. Um conselheiro chega e diz: – Que tal uma corrida de vinte quilômetros? Os mil primeiros recebem o alimento”. Todos aplaudem, afinal será possível comprovar a lisura do processo, todos poderão concorrer sem protecionismos nem nada.

Porém, a lisura esconde uma terrível injustiça que se cometeu bem antes. Os mais velhos, os doentes e os portadores de necessidades especiais foram condenados antes mesmo de se dar a largada.

É isso que o  vestibular esconde.

Penei durante cinco anos para entrar na UFS e consegui. Com cotas, sem cotas. E percebo que as pessoas que estão lá não enxergam que a Universidade Pública deve servir ao povo como um todo: aos que podem pagar e, principalmente, para aqueles que não podem.